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Holocausto
Cannibal
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LINGUAGEM
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Inglês
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COR |
95 min.
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EC
Entertainment
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LEGENDAS
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Inglês, Holandês |
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Da EC Entertainment, a mesma companhia que lançou o trio de Lucio Fulci L'Aldila…, Paura Nella Citta Dei Morti Viventi e Quella Villa Accanto Al Cimitero em DVD Região 2, chega-nos o inigualável HOLOCAUSTO CANIBAL (Itália, 1979), de Ruggero Deodato, numa edição não-cortada em formato widescreen letterbox semelhante ao LaserDisc da Cult Epics. Depois do sucesso (apesar da qualidade medonha) do seu Ultimo Mondo Cannibale / The Last Cannibal World, bem como de outras representações lucrativas de violência visceral e inconscientemente brutal de Fulci (como Zombi 2 e La Regina Dei Cannibali), Deodato realmente aumenta a parada com uma das obras de cinema mais inesquecíveis, mais brutais e mais brilhantes já concebidas.
Em Nova Iorque circulam notícias do misterioso desaparecimento de quatro (três homens e uma mulher) jovens autores de documentários algures nas selvas indomadas da bacia amazônica. Uma missão de salvamento é preparada, e não demora muito até que, à medida que a equipa de salvamento penetra mais e mais fundo no inferno verde que é a Amazónia, comecem a acumular-se evidências da viagem criminosa dos quatro cineastas pelo território das tribos nativas, progressivamente mais selvagens, da área. Como um dos intérpretes opina ao professor que conduz a expedição: "Algo me diz que os seus amigos fizeram uma enorme bagunça de tudo isto". Eventualmente, após forjar uma aliança com uma de duas tribos canibais em guerra, a equipa de salvamento descobre a sorte dos quatro jovens... sob a forma de restos de esqueletos erguidos na forma de um horrível totem, completo com latas de filme por abrir e câmaras.
Sendo-lhe
pedido que estude os rolos de filme por uma rede de televisão desejosa de os
emitir sob o título de O Inferno Verde, o professor que conduziu a
equipa descobre
algo mais sobre os métodos usados pelos jovens através
de um dos seus documentários anteriores: A Última Estrada para o Inferno,
um "docudrama" grotesco no qual pessoas de todas as idades são
assassinadas indiscriminadamente por soldados de uma ditadura do terceiro mundo,
e que culmina numa execução em massa por pelotões de fuzilamento. Quando
contam ao professor que o documentário é falso e que os soldados foram "pagos
para representar um pouco", o professor não fica contente. Pedaços de
entrevistas com amigos e parentes dos quatro cineastas falecidos revelam ainda uma indiferença
generalizada quanto ao seu destino.
Quando o académico, cada vez mais perturbado, se senta para assistir a uma rude montagem dos rolos de filme descobertos pela expedição, alcançamos o coração da obra de Deodato.
Iniciando-se
com uma introdução
jocosa às pessoas dos cineastas e com a sua
viagem para a selva, a descoberta de que eles são irreverentes, falsos e filmam
com duas câmaras logo nos conduz a aventuras bastante mais sinistras, à medida
que os homens e o guia puxam uma tartaruga do rio e a desmembram viva,
descolando-a da carapaça e arrancando-lhe as entranhas enquanto a um metro de
distância a cabeça continua a grasnar de infelicidade. As coisas vão de mal a
pior: aranhas e cobras fazem entradas pouco bem-vindas, e o guia é morto tanto
pela inépcia apressada dos cineastas como pela picada de cobra que sofreu.
Finalmente, os quatro chegam a uma clareira e dão de caras com uma aldeia. Aqui vêm
ao de cima as suas verdadeiras personalidades: matam um porquinho que estava a ser
criado como comida, encurralam os aldeões numa cabana e pegam-lhe fogo enquanto
filmam as suas próprias atrocidades para o documentário. Dois dos
protagonistas chegam mesmo a ter relações sexuais como resultado da excitação
trazida pelo derramamento de sangue.
Menos feliz do que nunca, o professor tenta convencer a estação de televisão a esquecer as filmagens dos quatro amigos, apenas para lhe ser dito que "as pessoas querem sensacionalismo, quanto mais você lhes viola os sentidos mais felizes elas são". Desta maneira, o nosso espectador erudito, enfadado e não muito convencido, respira fundo - metaforicamente falando - e senta-se para assistir ao acto final. É então que, parafraseando a expressão inglesa, a caca de morcego realmente atinge o ar condicionado.
Os
quatro cineastas capturam e violam à vez (bom, pelo menos os homens) uma rapariga
nativa, que é depois filmada empalada, ao estilo de Vlad, num poste que lhe
entra por entre as pernas e lhe sai pela boca. Isto, comentam eles, não é
bom... e fica pior: os quatro são subrepticiamente cercados pelos nativos
enfurecidos, e mortos, as suas entranhas arrancadas e gananciosamente devoradas
em frente à máquina de filmar pelos figurantes, que sorriem selvaticamente.
Abrindo com a música assombrante de Riz Ortolani e bonitas vistas panorâmicas da bacia amazônica, apresentado com a legenda "Em nome da autenticidade, algumas sequências foram mantidas na sua totalidade", o filme de Deodato é, talvez, a derradeira exploração do Homem como animal e dos extremos a que pode chegar a capacidade inerente do Homem para crueldade. Como um exame da desumanidade do Homem para com o Homem, o filme é absolutamente severo com a sua conclusão austera e deprimente, que nos deixa esgotados, habilmente utilizando um velho truque literário clássico; enquanto nos antigos romances pornográficos nos é dito frequentemente que eles são derivados de "manuscritos recentemente descobertos", a parte crucial do filme de Deodato são as "filmagens descobertas", cheias de arranhões, grão, marcas de laboratórios fotográficos, zooms amadores, recordando as filmagens "snuff" vagamente semelhantes em Emanuelle In America. Esta filmagem em estilo Cinema Verité (uma ideia depois reaproveitada no impressionante Blair Witch Project) envolve-nos totalmente, e HOLOCAUSTO CANIBAL é, de longe, o mais interessante, inteligente e poderoso dos filmes italianos de canibais, que são normalmente tipificados por obras ruins e ineptas como Eaten Alive / Mangiati Vivi de Lenzi, ou o vulgar Apocalisse Domani / Cannibal Apocalypse de Margheriti.
Raramente exibido na sua totalidade, esta longa-metragem que era (ao contrário da maioria das suas obras contemporâneas) uma cause celébre, apresenta-nos um catálogo de crueldade inflingido sobre todas as pequenas criaturas de Deus, tanto no homem como no animal. Uma mulher grávida é apedrejada e o seu feto arrancado do útero, uma mulher é empalada, uma tartaruga eviscerada, um pequeno mamífero esfolado vivo, há violações e assassínios, e ainda imolações e torturas; o cenário aliado a um realismo evidente, próximo o bastante do subgénero cinematográfico do Mondo para que haja um certo borrar das fronteiras, confere-lhe um tom desolador, e a mistura de atrocidades autênticas e aparentementes autênticas é de nos deixar de queixo caído.
O filme é representado de forma convincente, tremendamente bem escrito, brilhantemente dirigido e é, sem dúvida, um dos melhores filmes da sua década. Um clássico absoluto.
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Avaliação do DVD (de 1 a 5)
Imagem:
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Dada
sua idade, o filme usado para criar esta cópia é, como seria de esperar, menos
do que perfeito, e é um tanto desigual aqui e ali. No entanto, comparado com
algumas das encarnações anteriores deste filme, este DVD é uma grande
melhoria. Por outro lado, não é nem melhor nem pior do que a versão em
LaserDisc.
Muitos dos mesmos prós e contas que são evidentes nas edições das obras de Fulci pela EC Entertainment também são evidentes aqui. Novamente, como a caixa nos informa, este DVD foi "remasterizado" digitalmente a partir dos negativos de 35mm originais, e isso nota-se bem. A violência gráfica está toda lá, e foram sem dúvida usados os melhores negativos disponíveis. Possuo a edição italiana original em cassete VHS, e ela não fica nem perto da qualidade deste DVD. O formato widescreen aqui é 1.85:1. Não é anamórfico mas é bastante impressionante, com uma coloração precisa, tons de negro agradáveis e tons de pele razoáveis.
Som: ![]()
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Com um filme com 20 anos de idade, o som nunca vai ser muito mais do que funcional. A banda sonora de Riz Ortolani, bonita e assombrante, está razoavelmente bem apresentada - servindo como um contraponto extremamente eficaz às imagens desoladoras que nos são mostradas - e continua até hoje a ser um dos maiores atractivos do filme. Como parece que é sempre o caso nas edições da EC, a única opção em termos de som é a trilha sonora em mono original; claramente eles não remasterizaram o áudio como o fizeram com o visual. O som não é tão desapontador como o dos DVDs de Fulci e, às vezes, possui uma claridade bastante notável, mas a falta de som estéreo é uma grande perda dadas as propriedades gloriosamente hipnóticas, melodiosas e épicas das composições de Riz Ortolani. Possuo a banda sonora em CD, e ela é realmente impressionante; poderia aqui ter soado muito melhor com um pouco mais de esforço.
Extras:
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Trailers
são sempre bem-vindos, e o trailer principal é em grande parte o mesmo trailer
excelente que me lembro de ver há tantos anos atrás, bem apresentado e um dos
melhores trailers que já encontrei para um filme de horror italiano, com
imagens duras, uso eficaz da música de Ortolani... no entanto, o que
aconteceu aos evocativos comentários em voz-off? Em vez deles temos
cartões-títulos idiotas inseridos ao acaso. Que ideia desajeitada! O outro trailer é uma
vulgar apresentação alemã do filme de Deodato, com o seu uso gratuito de
luzes intermitentes que era melhor se fosse evitado por epilépticos. Os
habituais trailers da EC, apresentações para o giallo de Lamberto Bava La
Casa Con La Scala Nel Buio / A Blade In The Dark e o tolo filme canibal de
Sergio Matino Mountain Of The Cannibal God / La Montagna Del Dio Cannibale
(intitulado Slave Of The Cannibal God no ecrã), estão conspicuamente
ausentes aqui. Não eram lá muito bons mas, tal como um amigo irritante, são
recordados com saudade na sua ausência.
A entrevista, de facto uma mistura de duas entrevistas separadas feitas no festival Eurofest pelo filho de Deodato, Savero, e pelo jornalista Martin Coxhead, é razoavelmente interessante. Alguns factos fascinantes são mencionados, inclusivé a alegação de que o filme custou 100 000 dólares a fazer e rendeu muitos milhões em todo o mundo. Isso é que é lucro a sério! Também se revela que as sequências da selva foram rodadas em cinco semanas usando um gerador de 10 KW! Além disto, Deodato revela-nos o seu realizador favorito e oferece-nos alguns pensamentos seus em relação ao seus conterrâneos Argento e Fulci. A qualidade fica bastante acima da das entrevistas nos DVDs de Fulci editados pela EC, e torna-se claro que este material foi filmado por profissionais.
A galeria de fotos é realmente muito boa, tendo em conta as limitações deste tipo de coisas, mostrando uma combinação interessante de cartões promocionais, cartazes e capas de videos/discos do filme um pouco por todo o mundo (inclusivé a capa da edição VHS Portuguesa!). Um dos melhores exemplos do género.
O folheto desdobrável é bonito, mas nada especial: uma filmografia/biografia incompleta e algumas imagens do filme. O disco é muito agradável de se olhar, no entanto, com ilustrações de capa impressionantes.
Avaliação
Final: ![]()
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Conclusões semelhantes às tiradas para as edições da EC Entertainment do trio de filmes zombie de Fulci aplicam-se aqui, com uma excepção fundamental. Os de Fulci eram discos "que se devia ter", DVDs que valia a pena comprar apesar da apresentação ligeiramente falhada. Este filme é algo inteiramente diferente, sem dúvida um DVD "que se tem que ter".
A
imagem é muito boa, o som é adequado e os extras são razoáveis, embora seja
verdade que estes, no seu conjunto, não sejam nada de especial. Este é um
disco essencial em qualquer coleção, o filme principal de Deodato e um bona-fide
clássico.
Durante muitos anos foi esta obra maltratada nos formatos de home
entertainment, censurada, no formato incorrecto, ou pálida e deslavada, às
vezes apresentada em cópias de n geração que realmente não valia pena a ver.
Agora a edição limitada widescreen da EC Entertainment corrige todos esses maus tratos, numa apresentação sem cortes ou censura que há muito o filme merecia. Gostava que viesse incluído um comentário completo ao filme pelo realizador, Deodato, mas fora isso dou-lhe a nota máxima.
A.K.A. (Também Conhecido Por):
HOLOCAUSTO CANNIBALE; HOLOCAUSTO CANNIBAL; JUNGLE HOLOCAUST; NACKT UND ZERFLEISCHT.
Versões Alternativas:
A edição original no Reino Unido, da editoral "Go Video", estava fortemente cortada, o que não evitou que o título fosse rapidamente vítima da caça às bruxas "Video Nasty". A BBFC (British Board of Film Classification) disse subrepticiamente a um distribuidor (que terá de permanecer anónimo) para "não se chatear apresentando isto à BBFC" de modo a "não desperdiçar o seu dinheiro".
Ao redor do mundo, muitas partes do filme desapareceram debaixo da faca dos censores, em tempos e lugares diferentes. Várias edições cortadas circulam em vários territórios. Foi editado em Portugal pela mão da Roma Lusa.
Curiosidades:
Deodato foi, a certa altura, o assistente de Roberto Rosselini.
HOLOCAUSTO CANIBAL tem uma história controversa.
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Texto: Copyright © 2000 Peter Lynch
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Última actualização: 17-09-2001
Copyright © 2001 Ricardo Madeira |