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Perigo No Oceano
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Perigo no Oceano - Deep Blue Sea (1999) |
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| Duração: | 101 minutos | |
| Classificação: | M/12 | |
| Formato: | Widescreen (2.35:1) Anamórfico | |
| Linguagens áudio: | Inglês, Espanhol | |
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Legendas: |
Português, Inglês, Espanhol, Hebraico, Polaco, Grego, Checo, Turco, Húngaro, Croata | |
| Extras: | Comentário Áudio, Documentários, Cenas Cortadas, Galeria de Fotos, Trailer de Cinema | |
Há
certos ícones no cinema que não devem ser desafiados. São filmes que definiram
certos géneros, e sempre que se faz um filme que se aproxima sequer destes
filmes que estabeleceram as bases, esse filme será examinado
minuciosamente. Para filmes sobre a Máfia, temos O Padrinho. Para
sagas no espaço exterior, há a Guerra das Estrelas. Para filmes com
dançarinas exóticas que têm frequentes acessos de raiva e depois saem do
quarto batendo com a porta, há Showgirls. E claro que, quando o
tópico dos tubarões é trazido à baila, há Tubarão (Jaws). É
difícil de acreditar, mas Tubarão foi lançado há já 25 anos. Tendo
isto presente, o realizador Renny Harlin sentiu que estava na hora de regressar
ao tema, e trouxe-nos Perigo no Oceano (Deep Blue Sea), um filme
que é muito diferente de Tubarão. Perigo no Oceano foi
uma surpresa em termos de crítica quando foi lançado nos EUA no Verão de 1999,
mas perdeu-se no meio do maremoto de A Bruxa Blair (Blair Witch Project). No entanto,
Perigo no Oceano está
agora disponível em DVD, e pode ser desfrutado na segurança da sua própria
casa.
Perigo no Oceano evita o ponto de vista de "mar aberto" que Tubarão usou e opta por um enredo mais claustrofóbico. Perigo no Oceano decorre em Aquatica, um laboratório de pesquisa situado no meio do oceano. Aquatica pertence a uma companhia farmacêutica que é controlada por Russell Franklin (Samuel L. Jackson). Após um precalço em Aquatica, Franklin ameaça cancelar o projeto. A Dra. Susan McAlester (Saffron Burrows), a líder do projeto de pesquisa, convence Franklin de que a sua equipa está perto de uma grande descoberta, e convida Franklin a visitar Aquatica para ver com os seus próprios olhos.
Quando
Franklin chega a Aquatica, descobre a verdadeira natureza da pesquisa de
McAlester. Ela está convencida que proteínas extraídas do cérebro de um
tubarão podem ser usadas para reanimar células cerebrais humanas destruídas
por doenças degenerativas. Esta pesquisa está a ser conduzida em três enormes
tubarões, um dos quais com 15 metros de comprimento! Franklin é apresentado ao
tratador de tubarões Carter Blake (Thomas Jane, que se parece mesmo com Christopher Lambert) e ao cientista Jim Whitlock (Stellan Skarsgard, do filme
"Good Will Hunting").
Durante a experiência para ver se a pesquisa de McAlester vai dar resultados, há um acidente trágico e Aquatica começa a meter água. Como acaba por se ver, os tubarões não são apenas grandes; são também inteligentes. Os três tubarões assassinos tiram proveito da situação de catástofre e entram nas instalações de pesquisa para caçar os humanos. É uma corrida contra o relógio, à medida que a tripulação apavorada tenta encontrar um modo de chegar à superfície ao mesmo tempo que tenta evitar os monstros comedores de homens.
Neste momento, já vi Perigo no Oceano três vezes (uma vez no cinema, e duas vezes para esta crítica). Eu não sei como o filme consegue, mas o que é um facto é que ele funciona. Não deveria funcionar, mas funciona, apesar dos problemas. O enredo está muito visto, e é vulgar. Embora consiga muito bem evitar cair nos mesmos esquemas de Tubarão, Deep Blue Sea assemelha-se a muitos outros filmes, como Alien e Deep Rising. Uma vez apresentada a premissa básica, já sabemos que os personagens terão de tentar vários modos diferentes de chegar ao seu destino, e que no caminho alguns deles morrerão. Para além disso, temos o típico grupo estereotipado de personagens: o sujeito duro, a cientista ruim, o espertinho brincalhão e a chorona. Mais, os buracos no enredo abundam durante todo o filme e há vários factos e acontecimentos chave que nunca chegam a ser explicados.
Os
tubarões também não ajudam muito. Não têm personalidade. Tal como com os
humanos, o facto de eles serem inteligentes não significa que se mostrem
interessantes. Os tubarões simplesmente agem como um meio de ameaçar os
personagens, de os exterminar um por um. Poderia ser um outro animal qualquer a
fazer o isto. Okay, o Bruce [o nome posto ao monstro aquático de Tubarão
] também não conseguiu exactamente roubar todo o protagonismo em Tubarão, mas
também é verdade que ele não
aparecia muitas vezes na tela. Vemos bastante os tubarões de Perigo no
Oceano, e na maior parte das vezes eles não parecem tão
atraentes como isso.
Parte deste problema diz respeito ao efeitos especiais CGI (Computer Graphic Imaging). Por vezes, são terríveis. Há várias cenas onde os tubarões parecem os dois tubarões de um anúncio de TV da Cinnaburst. Estava sempre à espera que eles batessem as mãos. Só aparecem no filme três tipos de tubarões: tubarões reais, tubarões mecânicos, e tubarões CGI. Os tubarões mecânicos ficaram óptimos, são muito convincentes, e razoavelmente ameaçadores. São os tubarões CGI que quebram a ilusão. No material extra, o realizador Renny Harlin desafia-nos a distinguir os tubarões reais dos tubarões animados por computador. Não é nenhum desafio. Quando comparado a filmes como Mighty Joe Young ou Starship Troopers, o CGI aqui parece de segunda categoria.
Mas,
de alguma maneira e apesar destes grandes problemas, o filme é um sucesso.
Porquê? Muito do crédito tem de ir para o realizador Renny Harlin. Ele criou
aqui um filme com bom suspense. Perigo No Oceano parte de uma premissa bastante
simples, e Harlin começa desde logo a fazer crescer a tensão. Sendo Aquatica um
espaço tão limitado, há uma grande sensação de claustrofobia. Assim que as
instalações são inundadas, já sabemos que há a hipótese de os tubarões
saltarem a qualquer hora para fora da água, e isto cria expectativa. Harlin usa
isto para puxar o espectador para dentro do filme, e distrações como buracos
no enredo e efeitos especiais questionáveis são esquecidos à medida que vamos
torcendo para que os personagens se consigam safar dali. De facto, só depois de
abandonar a sala de cinema é que comecei a perceber o quão tola é parte do
filme. Isto porque enquanto estava a vê-lo fiquei totalmente imerso na
história.
O outro ponto-chave no sucesso do filme é o seu guião, que não nos poupa a nada. Mesmo não sendo o enredo base muito original, o modo como este é executado já o é. Deep Blue Sea tem definitivamente algo que o distingue dos outros, e consegue ser completamente mauzinho em certas alturas. (A cena que conduz à inundação das instalações ainda me perturba.) Também, o jogo do gato e do rato entre tubarões e humanos torna-se completamente imprevisível. Já vimos outros filmes assim onde as pessoas são mortas uma de cada vez, mas em Perigo no Oceano vale tudo. É quase impossível adivinhar quem vai morrer e quando. Em Alien sempre tivémos uma sensação de quando alguém se estava a colocar em perigo mortal (embora continue a ser chocante o momento em que Dallas é morto), mas em Deep Blue Sea os ataques de tubarão chegam de súbito e sem aviso, deixando o espectador abalado e não sabendo no que confiar. Fiquei surpreso pela quantidade de críticas e resumos de Perigo No Oceano que revelam ao leitor o maior choque do filme, e portanto serei cuidadoso, de modo a não revelar nenhum dos segredos do filme.
O
DVD da Warner Home Video de Deep Blue Sea
apresenta o pacote o típico da Warner, com uma transferência excelente do
filme para o pequeno ecrã e algumas guloseimas agradáveis. O filme é apresentado
num widescreen em formato anamórfico [optimizado para televisores 16:9], com um aspect ratio de 2.35:1 (letterboxed). A moldura parece ser precisa, uma vez
que não há nenhuma deformação visível do enquadramento. A imagem é
cristalina. Mesmo as cenas subaquáticas, que podem ter uma tendência para
ficarem escuras, estão impecáveis. Não há nenhum grão aparente no filme, nem
artefactos na imagem. A paleta de cores de Harlin consiste aqui principalmente
em azuis, cinzentos e pretos, e não há nenhum caso de saturação ou sobreposição de cores. A transferência para vídeo de
Perigo no Oceano foi muito bem feita.
Quando vi o filme na sala de cinema, uma coisa que realmente se notava era o óptimo uso do som estéreo. Estava à espera que o DVD recriasse este efeito e ele não desaponta. A banda sonora em Dolby Digital 5.1 é muito eficaz, oferecendo-nos uma grande dose de som sorround. A mistura dá-nos efeitos sonoros nos dois canais à frente, assim como nos canais à rectaguarda, para maximizar o sentimento de claustrofobia e desconforto do filme. O som está bem balançado, com os sons súbitos e altos não sendo dominadores e com um diálogo sempre compreensível, embora substancialmente mais baixo em volume que os efeitos - uma tendência visível em muitos filmes recentes.
O
DVD oferece vários extras. O primeiro é um comentário áudio com o realizador
Renny Harlin e a estrela Samuel L. Jackson. Infelizmente, os dois não estavam
juntos quando os seus comentários foram gravados, portanto temos dois
comentários editados num só. Nas suas observações, Harlin foca a mecânica
da rodagem do filme e explica como muitas das filmagens foram feitas, enquanto
que Jackson tende a falar mais sobre o que os actores estavam a fazer durante a
cena e as dificuldades que a equipa de filmagens teve de ultrapassar para fazer
o filme. Enquanto cada parte do comentário está boa, houve alturas em que
Jackson estava a discutir uma cena e em que eu teria gostado de ouvir as
observações técnicas de Harlin (e vice-versa). Ainda assim, Harlin e Jackson
são oradores divertidos e é óbvio que ambos sentem afecto pelo filme.
Há dois curtos documentários que incluem filmagens da rodagem do filme. Um aviso: não os vejam antes de ver o filme, pois eles revelam a maioria do enredo. When Sharks Attack dura quinze minutos, e mostra Harlin e o actor Thomas Jane mergulhando com tubarões reais para filmar algumas cenas necessárias para o filme. Também estão incluídas várias entrevistas com o elenco.
The
Sharks of the Deep Blue Sea dura aproximadamente oito minutos, e foca mais
os efeitos especiais. Podemos ver como os tubarões mecânicos foram
construídos e controlados. (Vejam uma cena hilariante com o desenhador dos
tubarões Walt Conti ao lado de um tubarão mecânico que parece estar à espera
da sua vez de falar.) Também é mostrado o modo como os tubarões de CGI foram
concebidos.
Há cinco cenas cortadas que não são muito impressionantes. São apresentadas em 2.35:1, mas parecem uma cópia video que foi transferida para MPEG. Estas cenas podem ser vistas com ou sem o comentário de Harlin, que faz um bom trabalho ao explicar o porquê de as cenas terem sido cortadas. E é bem óbvia a razão porque estas cenas foram omitidas do filme final. (Estava à espera de algumas cenas cortadas que me ajudassem a explicar alguns dos buracos do enredo.) O trailer de cinema é apresentado em 2.35:1 e é muito eficaz. O DVD contém ainda uma galeria de fotos e biografias da equipa que fez o filme. Fiquei muito surpreso por ver que o videoclip da música de LL Cool J, Deepest Blue, não faz parte do DVD.
Fui
inicialmente atraído ao cinema para ver Perigo no Oceano porque vejo qualquer coisa que tenha tubarões. O que eu descobri foi
um filme de acção/aventura muito eficaz que supera muitos defeitos para se
tornar um filme muito assustador e excitante. Enquanto a experiência do vídeo
em casa pode diminuir um pouco a eficiência do filme, este ainda assim tem para
oferecer
alguns momentos surpreendentes. E este filme prova definitivamente que, apesar
de alguns recentes retrocessos, Renny Harlin ainda é um grande realizador de
acção. Assim, se estiverem à procura de um filme com muita diversão e que
não represente um esforço demasiado grande para os vossos cérebros, então aconselho-vos a afundarem os dentes em
Perigo no Oceano (Deep Blue
Sea).
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Texto: Copyright © 2000 Mike Long
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Última actualização: 17-09-2001
Copyright © 2001 Ricardo Madeira |