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Zombie Flesh
Eaters
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LINGUAGEM
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Inglês
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COR / RSDL |
90 min.
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LEGENDAS
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sem legendagem |
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Clique na capa para ver o Trailer! |
Zombie Flesh Eaters, a.k.a (also know as, também conhecido como) Zombie, a.k.a. Zombi 2. Realizado em 1979 por Lucio Fulci, fotografado por Sergio Salvati com efeitos de maquilhagem de Gianneto de Rossi.
Imagem: A
Hmm... Os mais de 20 anos que a película tem comprometeram irremediavelmente a sua qualidade.
Não obstante a StoneVision ter arranjado um master pouco degradado no que diz respeito a pontos de pó e "riscos", as cores apresentam-se um pouco deslavadas. A codificação em 16:9 (2:35) não-anamórfica consegue no entanto extrair bastante detalhe. Outro "ponto a favor" é o facto de não haver nenhum artefacto digital. De qualquer das formas, a qualidade deste DVD assegura que esta é, presentemente, a melhor forma de se ver Zombie Flesh Eaters.
Som: B+
Urrgghh... O som é mau. Não existe outra forma de o classificar. Os filmes italianos não são propriamente conhecidos pela qualidade das suas faixas sonoras e/ou foley, e neste caso a ausência de legendas não ajuda. Tive que levantar bastante o som para perceber o que diziam. A separação dos canais é boa mas as frequências saem frequentemente dos limites aceitáveis, o que faz com que os variados gritos femininos atinjam valores estridentes. Felizmente a qualidade nunca vai muito abaixo de níveis satisfatórios.
Extras:
C+
Resumem-se a filmografias dos actores e do realizador, ao trailer e a algo chamado "Film Flash" que não passa de um ecrã com as capas de outros títulos editados pela firma.
Filme: A++
Quando
em 1968 George A. Romero lançou o seminal Night of the Living Dead, de
um momento para o outro os zombies ou mortos-vivos tornaram-se verdadeiros
"superstars". Até então os zombies limitavam-se a perseguir uma
qualquer pobre heroína (pobre, porque aparentemente não tinha dinheiro para
comprar o vestido completo, optando por revelar bastante da sua cútis...) e
levá-la para longe de forma a completar um qualquer desígnio misterioso. No
filme de Romero, e pela primeira vez, os desagradáveis personagens tinham uma
apetência por sangue e entranhas deveras desconcertante; de facto, e devido ao
baixo orçamento que o realizador tinha disponível, as entranhas que muitos dos
zombies comem são verdadeiras e provêm de animais. Claramente influenciado
pelas obras de Robert E. Howard, e mais concretamente por The Case of
Charles Dexter Ward de H. P. Lovecraft, Romero revitalizava o género de
terror, levando-o a um estágio que não foi abandonado ou superado
significativamente desde então. Seguiram-se-lhe as sequelas Dawn of the Dead
e Day of the Dead com Dawn indiscutivelmente a reclamar para si o título
de melhor filme de mortos-vivos.
Esta situação permaneceu inalterada durante anos, e provavelmente continuaria assim se não fosse pelas obras de Lucio Fulci. Embora os filmes de Romero continuem os melhores, Fulci alcança um muito próximo segundo lugar.
Por
alguma razão "obscura" o Género Terror tem na Itália um dos seus
mais prolíficos produtores e são mesmo os Italianos os responsáveis por muitas
das convenções utilizadas em Hollywood. Da pletora de realizadores italianos,
Fulci destaca-se pela violência gráfica e desenfreada que introduz nos seus
filmes. Já falecido, além da sua actividade cinematográfica era formado em
Cirurgia e também considerado um dos maiores especialistas mundiais em
Aeronáutica. A sua vertente médica deve ter certamente algo a ver com a
veracidade anatómica das vítimas nos seus filmes...
Foi com esta atitude e ímpeto que em 1978 Lucio Fulci lançou perante um
público atónito, Zombie Flesh Eaters. (NOTA DO EDITOR: o filme foi
lançado na Europa como Zombi 2, para se aproveitar do sucesso de Dawn of the Dead,
intitulado Zombi nalguns países europeus.)
Como
pano de fundo o argumento utiliza a fórmula segura e testada da Feitiçaria
Vudu; o melhor exemplo deste tipo de filme de mortos-vivos é, claro está, o
clássico de 1943, I Walked With a Zombie. Logo
de início somos confrontados com uma cena desconcertante, em que a jugular de um
polícia é arrancada à dentada por um zombie, que se encontrava no barco que
entrou na baía de Nova-Iorque aparentemente à deriva. O
barco, vimos a saber, pertence a um famoso cientista que tinha desaparecido
misteriosamente nas Caraíbas. Ann, a filha do cientista e o jornalista
encarregue do caso, Peter West, decidem em conjunto ir até à ilha onde
supostamente o investigador desapareceu. Para fazer a viagem "apanham
boleia" de um casal que ia de férias para as Caraíbas, composto por Brian,
etnólogo, e Susan, uma fotógrafa sub-aquática. Aproveitam a viagem para se conhecerem melhor e durante um dos mergulhos de
Susan esta é atacada por um zombie, que subsequentemente trava uma batalha com
um tubarão no que é, de certo, um dos trabalhos de duplo mais perigosos do
cinema. Ao chegarem à ilha ficam a conhecer o amigo e confidente do pai de Ann,
um tal de Dr. Maynard que, agora desgastado e cansado pelo terror que tem
presenciado, procura entre decapitações e incinerações (as duas únicas
formas seguras de matar zombies) encontrar uma cura (sem sucesso) para os
mortos-vivos, fazendo uso de maciças transfusões de sangue.
A
partir da chegada à ilha é um sem fim de horrores. Fulci com grande mestria
vai progressivamente subindo o coeficiente de terror; destacam-se a cena no
cemitério dos conquistadores espanhóis, que é já um arquétipo no que diz
respeito a ressurreições da tumba, e o infame vazar do olho da mulher de
Maynard, não esquecendo o final em que cinco ou seis indivíduos travam uma
luta desesperada contra toda a população da ilha, agora já transformada em zombies.
O mais surpreendente nestas produções italianas é talvez o realismo que conseguem imprimir às suas películas com orçamentos baixíssimos. Quem espera ver um filme que sofra do síndroma "é tão mau que chega a ser bom" desiluda-se; este é Cinema brutal e inquietante.
Lucio
Fulci à semelhança de Romero viria a redobrar os seus esforços na
perseguição da excelência do género com a sequela City of the Living Dead,
disponível na Região 1 pela mão da Anchor Bay, em cópia restaurada, e The Beyond,
um verdadeiro holocausto Zombie que conta a história de um hotel que se
encontra sobre as agora abertas Portas do Inferno.
Miraculosamente, esta edição da inglesa Stonevision não está censurada pela BBFC, tendo optado esta por lhe atribuir um certificado "para maiores de 18 anos"; ora isto só faz com que se torne mais pertinente que eu advirta qualquer potencial comprador de que este é um filme brutal e perturbador. Se é entusiasta de Terror e não se importa com cenas "gore" então esta edição é um mimo; se, por outro lado, desmaia quando vê uma agulha ou o conceito máximo que tem de terror é The Blair Witch Project, fique bem longe das obras de Lucio Fulci. (NOTA DO EDITOR: na realidade, parece qua versão inglesa do filme continua censurada pela British Board of Film Classification, se bem que desta vez "apenas" lhe faltam 23s em comparação com o 1min 46s que lhe faltavam antes; é uma pena que algumas das pessoas que cerraram os dentes para lutar contra o Nazismo sejam agora as mesmas que querem decidir unilateralmente aquilo que podemos ler, ver, ouvir e pensar; comprem antes o DVD da americana Anchor Bay, intitulado simplesmente Zombie, que também é Região 0, e que nos mostra o filme tal como o realizador o idealizou.)
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Texto: Copyright © 2000 Sérgio Seabra
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Última actualização: 17-09-2001
Copyright © 2001 Ricardo Madeira |