Anjo da Guarda
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Anjo da Guarda
por Ricardo Rebelo

 

Susana não gostava de ver o seu reflexo ao espelho. Não era que não fosse bonita nem atraente. Pelo contrário. Nem mesmo ela, na maior parte das vezes, se recordava porquê. Tinha sido tudo há tanto tempo que não se recordava quando tinha acontecido. Geralmente, nem o que tinha acontecido lhe vinha à memória. Apenas em pesadelos. Sim, nesses ela não só recordava tudo mas também revivia. Apenas a manhã e o despertar, como água sobre fogo, afastavam os pesadelos e a devolviam à bênção do esquecimento.

Quando era criança, talvez com sete anos de idade, Susana Vieira brincou com a maquilhagem da mãe pela última vez. Estava encavalitada sobre um banco, no quarto de banho, em frente ao espelho. Os seus olhos não eram mais do que dois pontos castanhos por baixo de duas manchas azuis escuras de pintura.

Estava a aplicar um batom vermelho escuro quando reparou que algo se estava a passar. Talvez já se estivesse a passar há muito tempo. Talvez mesmo desde o momento em que subira para o banco. Mas era tão óbvio e ao mesmo tempo tão subtil que só naquele momento reparou. No meio das duas manchas azuladas de pintura mal colocada os seus olhos, castanho-claros, tinham desaparecido. Em seu lugar estavam duas esferas negras, brilhantes como se fossem de vidro, um vidro negro e impenetrável mas vivos e despertos. Estavam a olhar para ela. O seu próprio reflexo fitava-a. O sangue gelou nas suas veias. Apesar de ter apenas 7 anos, já podia dizer que conhecia o significado da palavra horror, mesmo que ainda não a conseguisse soletrar. O batom caiu-lhe da mão. Estava paralisada e sentia os pêlos da nuca a eriçarem-me à passagem de um arrepio que lhe percorreu o corpo. Com a respiração suspensa, Susana pensou que ia permanecer assim até perder os sentidos ou até mesmo morrer asfixiada. Mas quando o seu reflexo lhe piscou um olho e sorriu, em nada reflectindo a sua face subitamente branca e aterrorizada, ela deu um passo atrás. Infelizmente esquecera-se de que estava em cima de um banco e estatelou-se no chão do quarto de banho.

A sua cabeça não atingiu a borda da banheira por escassos centímetros. Susana nem sentiu a queda. O espelho estava fora da sua vista e ela voltou a assumir o controlo sobre o seu corpo. A voz, que até então lhe falhara regressou com toda a pujança de uma miúda de sete anos e ela gritou estridentemente ao mesmo tempo que correu pelos corredores da casa. Só ao colo do pai, após inúmeras tentativas, regressou ao quarto de banho. Naturalmente, nada de errado lá havia.

Cinco anos depois, Susana levantou-se a meio da noite para beber um copo de água. Ensonada, percorreu o quarto e o corredor às escuras e somente acendeu a luz do quarto de banho. Estava com o copo quase cheio quando olhou para o espelho para ver o seu reflexo. E não o viu. No espelho via reflectido um quarto de banho vazio, limpo, imaculado. Sem qualquer presença humana. A sensação que julgava ter esquecido, de ter gelo nas veias em vez de sangue, regressou em pleno. Tentou gritar mas apenas um gemido saiu da sua garganta. Num gesto instintivo de puro terror levou uma mão à boca e mordeu-a com toda a força enquanto os seus olhos se arregalavam e rodopiavam nas órbitas. O gosto agridoce do sangue encheu-lhe a boca. Fugiu apavorada do quarto de banho, a correr, pelo escuro. Guiada apenas pelo instinto, e motivada pelo terror mais puro, atirou-se para a cama e refugiou-se infantilmente sob os cobertores. A sua respiração regressou irregular e sôfrega. Sentiu as lágrimas a percorrerem a sua pele morena mas permaneceu em silêncio. Uma alucinação provocada pelo sono, apenas isso. O que mais poderia ser? Em nome de Deus o que mais poderia ser? Soluçando e lambendo a ferida que tinha feito na mão, acabou por adormecer. No dia seguinte, na escola, enquanto descia um lance de escada, Susana tropeçou, caiu e partiu uma perna. Mas nunca ligou os dois eventos.

Já tinha esquecido tudo isso quando, quinze anos depois entrou no quarto de banho da estação do metropolitano, em Zêres. Já passavam das nove e meia e ela ainda tinha a noite toda pela frente. Mais uma noite com quatro horas de sono. Uma noite fora de casa, longe da filha e do Paulo. A terceira noite esta semana. Ele não gostava disso. Não tantas vezes seguidas. Não dizia nada, claro. Suspirava ao telefone quando ouvia as notícias mas não dizia nada. Perguntava-lhe se ela precisava de companhia. E claro, ela precisava. Mas também não o dizia. Ele não se sentia à vontade naquele ambiente, apesar de pôr sempre o seu sorriso mais amistoso. Um pouco de compreensão de ambos os lados e as coisas até estavam a funcionar apesar dos agoiros da irmã.

A estação era recente. Tinha sido inaugurada há um mês e o quarto de banho era enorme. Uma série de doze compartimentos, seis de cada lado formavam o corredor mesmo em frente da porta de entrada. O quarto de banho terminava ao fundo e oito lavatórios fixados lado a lado. Cada lavatório tinha o seu próprio dispensador de sabão e um espelho próprio. Bom, quase todos. Quem desenhara o quarto de banho não estaria certamente a par tradições portuguesas ou então tinha-se dado ao luxo de ter sido um pouco menos cuidadoso por se tratar de uma instalação feminina. Os espelhos não estavam embutidos na parede mas sim fixados por suportes que os agarravam tanto por cima como por baixo. Entre estes e a parede cerca de meio centímetro de espaço vazio. Teria sido tão fácil estilhaçá-los como retirá-los. E uma das duas coisas havia acontecido a três deles. Susana sorriu perante a constatação de que os melhores hábitos do seu país não haviam sido perdidos com a entrada na União Europeia.

Parecia deserto, mas Susana não ligou ao facto. A estação era nova, periférica e ainda não muito frequentada. Especialmente àquela hora. Tinha de se apressar. Junto ao espelho verificou o estado da maquilhagem. Lastimável ao fim de doze horas. Despejou parte do conteúdo da sua bolsa no lavatório e começou a trabalhar. E depressa tinha ela de trabalhar. Às dez era aguardada pelos clientes e ainda tinha de apanhar dois metropolitanos diferentes. Maldita avaria no carro. Logo naquele dia.

Não deixando de se sentir grata pela calma e silêncio depois de um dia como o que tinha tido, trabalhou na sua aparência durante cinco minutos.

Estava a terminar quando ele apareceu. Devia ter estado ali todo aquele tempo, escondido por detrás de uma das portas semi-abertas ao longo do corredor. Susana viu algo a sair de uma das portas mais próximas. Apenas um vulto a mover-se em sua direcção. Silencioso como se caminhasse sobre o ar mas ameaçador como um demónio. Assustada, deixou cair o lápis que tinha mão e voltou-se. Quando encarou o seu atacante já uma navalha de barbear, daquelas que ainda se encontram nas barbearias tradicionais, se encontrava encostada ao seu pescoço. Aterrorizada, sentiu a pressão do gume sobre a sua carótida. Temeu que a sua pressão sanguínea, agora aumentada num factor de dez, fosse suficiente para obrigar a lâmina a enterrar-se na veia e isso seria certamente o fim. Mas o seu atacante parecia saber muito bem o que estava a fazer e não a queria morta. Pelo menos de imediato. Sentindo a sua agitação, ele aliviou a pressão da navalha mas não a desencostou totalmente. A medo, aterrorizada na verdade, ela olhou para ele. Tinha um barrete azul-escuro, gasto mas intacto, na cabeça. Era alto e magro mas forte o suficiente para imobilizar Susana. A sua face esquelética, pálida e impecavelmente barbeada não mostrava mais do que determinação e frieza. Susana pensou que ele a iria assaltar mas a pressão que sentiu vinda das suas calças deu-lhe outra indicação. Era uma violação e não um assalto.

Desespero tomou conta do seu consciente e o seu corpo começou a tremer involuntariamente. Vítima de violação? Ela? Como? Ele sorriu. Estava a gostar da reacção. Geralmente elas demoravam mais a perceber o que se ia passar. Ofereciam dinheiro, cartões de crédito e tudo o mais que tinham nas carteiras. Só depois ele lhes dizia o que ia fazer. Esta não. Era mais inteligente. Ele também gostava delas assim.

“Colabora e vives para recordar” disse ele, num tom austero como o destino mas ao mesmo tempo divertido, como se a recordação fosse uma benesse e não uma maldição. O seu hálito era fresco. Não sentia o mínimo indício de álcool e os seus olhos, frios e focados, mostravam que drogas não estavam envolvidas. Aquele era um violador com sangue frio e perfeitamente consciente do que estava a fazer. Sentiu os seus olhos encherem-se de lágrimas. O que haveria de fazer? Tentou infantilmente e esquecendo-se da navalha, fugir do seu agressor. Rolou para o lado esquerdo afastando o seu pescoço da lâmina mas bastou ao violador esticar um braço para a agarrar. Atirou-a contra a parede de um dos compartimentos opostos aos espelhos.

“Outra dessas e vão ter de usar muitos baldes para limpar o sangue”. A lâmina pressionou com mais força e por momentos Susana pensou que estava já a entrar no pescoço. Deixou de resistir, aterrorizada com a ideia de sentir aquela lâmina a deslizar pelo interior do seu pescoço, cortando uma carótida, depois as cordas vocais e saindo pelo outro lado. Imaginou o que sentiria enquanto se esvaía em sangue encostada a uma porta. Quanto tempo seria até perder a consciência? E estaria a lâmina desinfectada? Quase deu uma gargalhada histérica com a ideia. Perdeu toda a esperança quando o sentiu a desapertar o cinto. Desviou o olhar. Não conseguiria suportar a sua expressão de gozo enquanto a violava. Talvez se ela pensasse noutra coisa ele não a violasse realmente. Talvez tanta coisa, que ela sabia que não ia funcionar mal ele começasse. Olhou para o espelho à sua frente. Mal consegui ver a sua cara sobre o ombro do violador. Este já estava a desapertar os botões dos jeans negros. Foi quando ela tentou focar-se ao espelho, nos seus olhos, que viu aquilo novamente.

Sem as manchas de pintura azul em torno dos olhos, estes eram novamente esferas negras e brilhantes. Ou talvez fossem buracos vazios. Não conseguia ver bem. Subitamente lembrou-se de tudo o que lhe tinha acontecido anos antes. Aos sete anos de idade e depois aos doze. Não ficou aterrorizada desta vez. Isso já o estava. O choque trouxe-a de volta à realidade. Nada melhor do que um horror para fazer esquecer outro. E o verdadeiro horror ali era o violador e não o seu distorcido reflexo. Sentiu-se agoniada. Tudo aquilo a acontecer ao mesmo tempo era demais. Demais para ser real. Seria um sonho? Talvez mas ela havia sentido dor ao ser atirada contra a parede e não se podia sentir dor nos sonhos. Foi então que o seu reflexo no espelho começou a agir de forma diferente. Piscou o olho a Susana como se quisesse chamar a sua atenção. Já a tinha. Tudo era preferível ao que estava a acontecer do seu lado do espelho. O seu reflexo sorriu e levantou uma mão. Movimentou o braço em sua direcção. Susana não percebeu ao princípio mas quando o seu reflexo insistiu no gesto, ela teve uma ideia. Não sabia o que se estava a passar. Naquela altura não sabia sequer onde estava ou o seu primeiro nome. Mas estava prestes a ser violada e tinha fazer algo. E se estava louca, então o que tinha a perder? Afrouxou a sua resistência, como que desistindo de lutar. O seu agressor sentiu a facilidade conseguida e afastou um pouco a lâmina mas não a pousou. Já estava a baixar as calças. Ela não podia esperar mais. Recorrendo a toda a força que tinha empurrou-o violentamente contra o lavatório. Na sua posição precária, ele não se opôs a tempo e foi projectado para trás. Então o inacreditável aconteceu. Algo que a partir do dia seguinte Susana jurou ter-se tratado de uma alucinação. Talvez tivesse tido uma quebra de tensão ao maquilhar-se e tivesse imaginado tudo aquilo.

O seu reflexo estendeu as mãos e estas atravessaram o espelho, como se de uma fina barreira de água se tratasse. Eram as suas mãos, os seus anéis, as suas unhas impecavelmente arranjadas. Alheio a tudo isso o violador empunhou a navalha mais uma vez, decidido sem dúvida a que fosse a última. Só então reparou no misto de pasmo e incredulidade no rosto de Susana. Era tarde demais. Foi agarrado pelos ombros e Susana viu claramente as mãos do seu reflexo a cravarem-se-lhe neles. Gritando de dor e de surpresa, ele tentou virar-se. Nesse momento foi puxado. Puxado por uma força incrível, muito maior do que a que Susana alguma vez teria, pelo ar, para o outro lado. Estatelou-se no chão, ou no seu reflexo. O violador tinha desaparecido do quarto de banho. Mas Susana via-o no reflexo como se estivesse a espreitar por uma janela. Ainda sem perceber o que se passava ele olhou em volta. Foi então que viu os olhos do seu atacante, olhou para Susana do outro lado do espelho, da realidade a que ele um dia pertencera, e gritou de terror. A sósia de Susana estava com a navalha na mão e a avançar sobre ele. Apavorado, recuou até não mais poder. Ficou encurralado num canto, entre uma parede e um lavatório. Ergueu as mãos em sinal de rendição. Susana viu o seu reflexo a baixar a lâmina. Ele pareceu suspirar de alívio. Foi nessa altura que a lâmina foi usada, num gesto violento, rápido e perfeito. Ela pensou tratar-se de um gesto intimidativo e não acreditou que a lâmina o tivesse tocado. Mas o violador escancarou a boca num grito silencioso. O seu pescoço pareceu abrir-se de uma ponta à outra enquanto dois esguichos de sangue mancharam o espelho. Ele levou a mão ao pescoço mas o sangue continuou a escorrer por entre os seus dedos. Parecia que uma boca-de-incêndio se tinha aberto. Em vez de água jorrava sangue. A sua sweat shirt, antes branca, estava tingida de vermelho e quando se aproximou do espelho, Susana viu que uma poça de sangue se acumulava aos seus pés. O seu corpo começou a tremer convulsivamente. Está a morrer pensou Susana. E em alguns segundos estava morto, olhos esbugalhados e boca escancarada num último grito. Do seu lado do espelho, da sua realidade, não havia qualquer vestígio do violador.

Focou a sua atenção no seu reflexo. Os olhos negros fitavam-na. Estava novamente a sorrir. Desta vez Susana retribuiu o sorriso à sua amiga de longa data, ao seu anjo da guarda que um dia a tinha abandonado, resultando numa perna partida, e encontrou forças para um murmúrio.

“Obrigado”

O seu reflexo não reagiu. O agradecimento talvez fosse excessivo. Não era apenas um reflexo dela própria que a fitava. Em vez disso, apontou simplesmente para o chão, onde estava um balde de plástico, para o lixo. Era grande mas parecia vazio. Susana não percebeu à primeira mas depois os espaços vazios onde tinham um dia estado espelhos iluminaram-na. Sim, tinha de ser feito. Automaticamente, como se estivesse a dormir, pegou no balde e ergueu-o. O seu reflexo acenou com a cabeça numa despedida final ou talvez num até breve. Susana atirou o balde, com a força que podia e que naquela altura não era muita, contra o espelho. Foi suficiente. Uma onda de choque percorreu a superfície espelhada. Uma fracção de segundo depois explodiu em dezenas de fragmentos que se amontoaram no lavatório. Depois do estrondo fez-se silêncio no quarto de banho. Susana olhou para outros espelhos mas apenas viu o seu reflexo. Tudo o resto tinha desaparecido. A sua amiga, o violador, o sangue no chão, a navalha. Esteve cinco minutos encostada à parede a descansar e à espera que alguém atraído pelo barulho do espelho a quebrar surgisse. Ninguém veio. Antes assim. O que poderia ela dizer? Talvez apenas desculpar-se e pagar o espelho. Calma e tranquilamente Susana Vieira completou a sua maquilhagem e abandonou o quarto de banho. Estava atrasada para um jantar com clientes. Atrás dela ficaram apenas os fragmentos de um espelho quebrado, mais um, no lavatório do quarto de banho do metro. E entre eles, algum sangue de um violador que não seria encontrado. Nunca.

 

Ricardo Rebelo nasceu em Angola em 1977 e instalou-se definitivamente em Portugal no de 1981. Viveu um ano na vila de Tabuaço, e em 1982 mudou-se para Gondomar (distrito do Porto) onde ainda reside. Neste momento está a terminar a licenciatura em Economia na Universidade Portucalense.

Desde o dia em que viu o filme "Shinning", em 1986, que se interessou pelos temas do fantástico e do terror sendo um leitor ávido das obras de Stephen King e James Herbert. Nos poucos tempos livres que tem, escreve alguns contos e novelas encontrando-se a preparar uma novela com o título provisório de "Samhein" com a qual pretende concorrer ao Prémio de Ficção Literária Fnac/Teorema. Outros dos seus interesses incluem o estudo dos crimes de Jack, o Estripador, bem como a astronomia amadora.

Ricardo Rebelo pelo ser contactado pelo seguinte e-mail: ricardorebelo@ip.pt

Quanto ao conto, Anjo da Guarda é o primeiro trabalho de Ricardo Rebelo. Demonstra a originalidade e a enorme vontade de ir à luta de um autor emergente, que não tem medo de situações difíceis. A execução técnica dada à ideia não é a melhor, peca sobretudo por um desenrolar muito simples e cronologicamente linear, por algumas palavras excessivas e pelos parágrafos longos demais, que não fazem justiça ao bom ritmo da história. Mas também o que é que podíamos pedir mais para um primeiro conto?

O Turno da Noite já leu trabalhos posteriores de Ricardo Rebelo e ficou, definitivamente, impressionado. Na verdade, o autor ganhou recentemente o segundo prémio no 1º Concurso Literário de Contos de Terror, promovido pelo Turno da Noite. Não lhe desejamos boa sorte para o Prémio Fnac/Teorema porque já espreitámos o trabalho em construção e sabemos que aquela é uma obra que não vai precisar de sorte para vencer. Vamos apenas cruzar os dedos, vender algumas almas ao demónio, e esperar que o Júri do concurso literário não elimine de imediato a obra apenas porque esta é de Terror, apenas porque esta conta mesmo uma história, com princípio, meio e fim, com pés, tronco e muita cabeça... ao contrário de outros romances, ditos "literários", que se publicam por cá, e que também são, à sua maneira, verdadeiras obras de terror. Infelizmente. E depois ninguém sabe porque é que se lê tão pouco em Portugal...

 

Anjo da Guarda: Copyright © 2000 Ricardo Rebelo

Adaptação para HTML por Ricardo Madeira

 

Última actualização: 17-09-2001

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