Susana
não gostava de ver o seu reflexo ao espelho. Não era que não fosse bonita nem
atraente. Pelo contrário. Nem mesmo ela, na maior parte
das vezes, se recordava porquê. Tinha sido tudo há tanto tempo que não se
recordava quando tinha acontecido. Geralmente, nem o que tinha acontecido lhe
vinha à memória. Apenas em pesadelos. Sim, nesses ela não só recordava tudo
mas também revivia. Apenas a manhã e o despertar, como água sobre fogo,
afastavam os pesadelos e a devolviam à bênção do esquecimento.
Quando
era criança, talvez com sete anos de idade, Susana Vieira brincou com a
maquilhagem da mãe pela última vez. Estava encavalitada
sobre um banco, no quarto de banho, em frente ao espelho. Os seus olhos não
eram mais do que dois pontos castanhos por baixo de duas manchas azuis escuras
de pintura.
Estava
a aplicar um batom vermelho escuro quando reparou que algo se estava a passar.
Talvez já se estivesse a passar há muito tempo. Talvez mesmo desde o momento
em que subira para o banco. Mas era tão óbvio e ao mesmo tempo tão subtil que
só naquele momento reparou. No meio das duas manchas azuladas de pintura mal
colocada os seus olhos, castanho-claros, tinham desaparecido. Em seu lugar
estavam duas esferas negras, brilhantes como se fossem de vidro, um vidro negro
e impenetrável mas vivos e despertos. Estavam a olhar para ela. O seu próprio
reflexo fitava-a. O sangue gelou nas suas veias. Apesar de ter apenas 7 anos, já
podia dizer que conhecia o significado da palavra horror, mesmo que ainda
não a conseguisse soletrar. O batom caiu-lhe da mão. Estava paralisada e
sentia os pêlos da nuca a eriçarem-me à passagem de um arrepio que lhe
percorreu o corpo. Com a respiração suspensa, Susana pensou que ia permanecer
assim até perder os sentidos ou até mesmo morrer asfixiada. Mas quando o seu
reflexo lhe piscou um olho e sorriu, em nada reflectindo a sua face subitamente
branca e aterrorizada, ela deu um passo atrás.
Infelizmente esquecera-se de que estava em cima de um
banco e estatelou-se no chão do quarto de banho.
A
sua cabeça não atingiu a borda da banheira por escassos centímetros. Susana
nem sentiu a queda. O espelho estava fora da sua vista e ela voltou a assumir o
controlo sobre o seu corpo. A voz, que até então lhe falhara regressou com
toda a pujança de uma miúda de sete anos e ela gritou estridentemente ao mesmo
tempo que correu pelos corredores da casa. Só ao colo do pai, após inúmeras
tentativas, regressou ao quarto de banho. Naturalmente, nada de errado lá
havia.
Cinco
anos depois, Susana levantou-se a meio da noite para beber um copo de água.
Ensonada, percorreu o quarto e o corredor às escuras e somente acendeu a luz do
quarto de banho. Estava com o copo quase cheio quando olhou para o espelho para
ver o seu reflexo. E não o viu. No espelho via reflectido um quarto de banho
vazio, limpo, imaculado. Sem qualquer presença humana. A sensação que julgava
ter esquecido, de ter gelo nas veias em vez de sangue, regressou em pleno.
Tentou gritar mas apenas um gemido saiu da sua garganta. Num gesto instintivo de
puro terror levou uma mão à boca e mordeu-a com toda a força enquanto os seus
olhos se arregalavam e rodopiavam nas órbitas. O gosto agridoce do sangue
encheu-lhe a boca. Fugiu apavorada do quarto de banho, a correr, pelo escuro.
Guiada apenas pelo instinto, e motivada pelo terror mais puro, atirou-se para a
cama e refugiou-se infantilmente sob os cobertores. A sua respiração regressou
irregular e sôfrega. Sentiu as lágrimas a percorrerem a sua pele morena mas
permaneceu em silêncio. Uma alucinação provocada pelo sono, apenas isso. O
que mais poderia ser? Em nome de Deus o que mais poderia ser? Soluçando e
lambendo a ferida que tinha feito na mão, acabou por adormecer. No dia
seguinte, na escola, enquanto descia um lance de escada, Susana tropeçou, caiu
e partiu uma perna. Mas nunca ligou os dois eventos.
Já
tinha esquecido tudo isso quando, quinze anos depois entrou no quarto de banho
da estação do metropolitano, em Zêres. Já passavam das nove e meia e ela
ainda tinha a noite toda pela frente. Mais uma noite com quatro horas de sono.
Uma noite fora de casa, longe da filha e do Paulo. A terceira noite esta semana.
Ele não gostava disso. Não tantas vezes seguidas. Não dizia nada, claro.
Suspirava ao telefone quando ouvia as notícias mas não dizia nada.
Perguntava-lhe se ela precisava de companhia. E claro, ela precisava. Mas também
não o dizia. Ele não se sentia à vontade naquele ambiente, apesar de pôr
sempre o seu sorriso mais amistoso. Um pouco de compreensão de ambos os lados e
as coisas até estavam a funcionar apesar dos agoiros da irmã.
A
estação era recente. Tinha sido inaugurada há um mês e o quarto de banho era
enorme. Uma série de doze compartimentos, seis de cada lado formavam o corredor
mesmo em frente da porta de entrada. O quarto de banho terminava ao fundo e oito
lavatórios fixados lado a lado. Cada lavatório tinha o seu próprio
dispensador de sabão e um espelho próprio. Bom, quase todos. Quem desenhara o
quarto de banho não estaria certamente a par tradições portuguesas ou então
tinha-se dado ao luxo de ter sido um pouco menos cuidadoso por se tratar de uma
instalação feminina. Os espelhos não estavam embutidos na parede mas sim
fixados por suportes que os agarravam tanto por cima como por baixo. Entre estes
e a parede cerca de meio centímetro de espaço vazio. Teria sido tão fácil
estilhaçá-los como retirá-los. E uma das duas coisas havia acontecido a três
deles. Susana sorriu perante a constatação de que os melhores hábitos do seu
país não haviam sido perdidos com a entrada na União Europeia.
Parecia
deserto, mas Susana não ligou ao facto. A estação era nova, periférica e
ainda não muito frequentada. Especialmente àquela hora. Tinha de se apressar.
Junto ao espelho verificou o estado da maquilhagem. Lastimável ao fim de doze
horas. Despejou parte do conteúdo da sua bolsa no lavatório e começou a
trabalhar. E depressa tinha ela de trabalhar. Às dez era aguardada pelos
clientes e ainda tinha de apanhar dois metropolitanos diferentes. Maldita avaria
no carro. Logo naquele dia.
Não
deixando de se sentir grata pela calma e silêncio depois de um dia como o que
tinha tido, trabalhou na sua aparência durante cinco minutos.
Estava
a terminar quando ele apareceu. Devia ter estado ali todo aquele tempo,
escondido por detrás de uma das portas semi-abertas ao longo do corredor.
Susana viu algo a sair de uma das portas mais próximas. Apenas um vulto a
mover-se em sua direcção. Silencioso como se caminhasse sobre o ar mas ameaçador
como um demónio. Assustada, deixou cair o lápis que tinha mão e voltou-se.
Quando encarou o seu atacante já uma navalha de barbear, daquelas que ainda se
encontram nas barbearias tradicionais, se encontrava encostada ao seu pescoço.
Aterrorizada, sentiu a pressão do gume sobre a sua carótida. Temeu que a sua
pressão sanguínea, agora aumentada num factor de dez, fosse suficiente para
obrigar a lâmina a enterrar-se na veia e isso seria certamente o fim. Mas o seu
atacante parecia saber muito bem o que estava a fazer e não a queria morta.
Pelo menos de imediato. Sentindo a sua agitação, ele aliviou a pressão da
navalha mas não a desencostou totalmente. A medo, aterrorizada na verdade, ela
olhou para ele. Tinha um barrete azul-escuro, gasto mas intacto, na cabeça. Era
alto e magro mas forte o suficiente para imobilizar Susana. A sua face esquelética,
pálida e impecavelmente barbeada não mostrava mais do que determinação e
frieza. Susana pensou que ele a iria assaltar mas a pressão que sentiu vinda
das suas calças deu-lhe outra indicação. Era uma violação e não um
assalto.
Desespero
tomou conta do seu consciente e o seu corpo começou a tremer involuntariamente.
Vítima de violação? Ela? Como? Ele sorriu. Estava a gostar da reacção.
Geralmente elas demoravam mais a perceber o que se ia passar. Ofereciam
dinheiro, cartões de crédito e tudo o mais que tinham nas carteiras. Só
depois ele lhes dizia o que ia fazer. Esta não. Era mais inteligente. Ele também
gostava delas assim.
“Colabora
e vives para recordar” disse ele, num tom austero como o destino mas ao mesmo
tempo divertido, como se a recordação fosse uma benesse e não uma maldição.
O seu hálito era fresco. Não sentia o mínimo indício de álcool e os seus
olhos, frios e focados, mostravam que drogas não estavam envolvidas. Aquele era
um violador com sangue frio e perfeitamente consciente do que estava a fazer.
Sentiu os seus olhos encherem-se de lágrimas. O que haveria de fazer? Tentou
infantilmente e esquecendo-se da navalha, fugir do seu agressor. Rolou para o
lado esquerdo afastando o seu pescoço da lâmina mas bastou ao violador esticar
um braço para a agarrar. Atirou-a contra a parede de um dos compartimentos
opostos aos espelhos.
“Outra
dessas e vão ter de usar muitos baldes para limpar o sangue”. A lâmina
pressionou com mais força e por momentos Susana pensou que estava já a entrar
no pescoço. Deixou de resistir, aterrorizada com a ideia de sentir aquela lâmina
a deslizar pelo interior do seu pescoço, cortando uma carótida, depois as
cordas vocais e saindo pelo outro lado. Imaginou o que sentiria enquanto se esvaía
em sangue encostada a uma porta. Quanto tempo seria até perder a consciência?
E estaria a lâmina desinfectada? Quase deu uma gargalhada histérica com a
ideia. Perdeu toda a esperança quando o sentiu a desapertar o cinto. Desviou o
olhar. Não conseguiria suportar a sua expressão de gozo enquanto a violava.
Talvez se ela pensasse noutra coisa ele não a violasse realmente. Talvez tanta
coisa, que ela sabia que não ia funcionar mal ele começasse. Olhou para o
espelho à sua frente. Mal consegui ver a sua cara sobre o ombro do violador.
Este já estava a desapertar os botões dos jeans negros. Foi quando ela tentou
focar-se ao espelho, nos seus olhos, que viu aquilo novamente.
Sem
as manchas de pintura azul em torno dos olhos, estes eram novamente esferas
negras e brilhantes. Ou talvez fossem buracos vazios. Não conseguia ver bem.
Subitamente lembrou-se de tudo o que lhe tinha acontecido anos antes. Aos sete
anos de idade e depois aos doze. Não ficou aterrorizada desta vez. Isso já o
estava. O choque trouxe-a de volta à realidade. Nada melhor do que um horror
para fazer esquecer outro. E o verdadeiro horror ali era o violador e não o seu
distorcido reflexo. Sentiu-se agoniada. Tudo aquilo a acontecer ao mesmo tempo
era demais. Demais para ser real. Seria um sonho? Talvez mas ela havia sentido
dor ao ser atirada contra a parede e não se podia sentir dor nos sonhos. Foi
então que o seu reflexo no espelho começou a agir de forma diferente. Piscou o
olho a Susana como se quisesse chamar a sua atenção. Já a tinha. Tudo era
preferível ao que estava a acontecer do seu lado do espelho. O seu reflexo
sorriu e levantou uma mão. Movimentou o braço em sua direcção. Susana não
percebeu ao princípio mas quando o seu reflexo insistiu no gesto, ela teve uma
ideia. Não sabia o que se estava a passar. Naquela altura não sabia sequer
onde estava ou o seu primeiro nome. Mas estava prestes a ser violada e tinha
fazer algo. E se estava louca, então o que tinha a perder? Afrouxou a sua
resistência, como que desistindo de lutar. O seu agressor sentiu a facilidade
conseguida e afastou um pouco a lâmina mas não a pousou. Já estava a baixar
as calças. Ela não podia esperar mais. Recorrendo a toda a força que tinha
empurrou-o violentamente contra o lavatório. Na sua posição precária, ele não
se opôs a tempo e foi projectado para trás. Então o inacreditável aconteceu.
Algo que a partir do dia seguinte Susana jurou ter-se tratado de uma alucinação.
Talvez tivesse tido uma quebra de tensão ao maquilhar-se e tivesse imaginado
tudo aquilo.
O
seu reflexo estendeu as mãos e estas atravessaram o espelho, como se de uma
fina barreira de água se tratasse. Eram as suas mãos, os seus anéis, as suas
unhas impecavelmente arranjadas. Alheio a tudo isso o violador empunhou a
navalha mais uma vez, decidido sem dúvida a que fosse a última. Só então
reparou no misto de pasmo e incredulidade no rosto de Susana. Era tarde demais.
Foi agarrado pelos ombros e Susana viu claramente as mãos do seu reflexo a
cravarem-se-lhe neles. Gritando de dor e de surpresa, ele tentou virar-se. Nesse
momento foi puxado. Puxado por uma força incrível, muito maior do que a que
Susana alguma vez teria, pelo ar, para o outro lado. Estatelou-se no chão, ou
no seu reflexo. O violador tinha desaparecido do quarto de banho. Mas Susana
via-o no reflexo como se estivesse a espreitar por uma janela. Ainda sem
perceber o que se passava ele olhou em volta. Foi então que viu os olhos do seu
atacante, olhou para Susana do outro lado do espelho, da realidade a que ele um
dia pertencera, e gritou de terror. A sósia de Susana estava com a navalha na mão
e a avançar sobre ele. Apavorado, recuou até não mais poder. Ficou
encurralado num canto, entre uma parede e um lavatório. Ergueu as mãos em
sinal de rendição. Susana viu o seu reflexo a baixar a lâmina. Ele pareceu
suspirar de alívio. Foi nessa altura que a lâmina foi usada, num gesto
violento, rápido e perfeito. Ela pensou tratar-se de um gesto intimidativo e não
acreditou que a lâmina o tivesse tocado. Mas o violador escancarou a boca num
grito silencioso. O seu pescoço pareceu abrir-se de uma ponta à outra enquanto
dois esguichos de sangue mancharam o espelho. Ele levou a mão ao pescoço mas o
sangue continuou a escorrer por entre os seus dedos. Parecia que uma boca-de-incêndio
se tinha aberto. Em vez de água jorrava sangue. A sua sweat shirt, antes
branca, estava tingida de vermelho e quando se aproximou do espelho, Susana viu
que uma poça de sangue se acumulava aos seus pés. O seu corpo começou a
tremer convulsivamente. Está a morrer pensou Susana. E em alguns segundos
estava morto, olhos esbugalhados e boca escancarada num último grito. Do seu
lado do espelho, da sua realidade, não havia qualquer vestígio do violador.
Focou
a sua atenção no seu reflexo. Os olhos negros fitavam-na. Estava novamente a
sorrir. Desta vez Susana retribuiu o sorriso à sua amiga de longa data, ao seu
anjo da guarda que um dia a tinha abandonado, resultando numa perna partida, e
encontrou forças para um murmúrio.
“Obrigado”
O
seu reflexo não reagiu. O agradecimento talvez fosse excessivo. Não era apenas
um reflexo dela própria que a fitava. Em vez disso, apontou simplesmente para o
chão, onde estava um balde de plástico, para o lixo. Era grande mas parecia
vazio. Susana não percebeu à primeira mas depois os espaços vazios onde
tinham um dia estado espelhos iluminaram-na. Sim, tinha de ser feito.
Automaticamente, como se estivesse a dormir, pegou no balde e ergueu-o. O seu
reflexo acenou com a cabeça numa despedida final ou talvez num até breve.
Susana atirou o balde, com a força que podia e que naquela altura não era
muita, contra o espelho. Foi suficiente. Uma onda de choque percorreu a superfície
espelhada. Uma fracção de segundo depois explodiu em dezenas de fragmentos que
se amontoaram no lavatório. Depois do estrondo fez-se silêncio no quarto de
banho. Susana olhou para outros espelhos mas apenas viu o seu reflexo. Tudo o
resto tinha desaparecido. A sua amiga, o violador, o sangue no chão, a navalha.
Esteve cinco minutos encostada à parede a descansar e à espera que alguém
atraído pelo barulho do espelho a quebrar surgisse. Ninguém veio. Antes assim.
O que poderia ela dizer? Talvez apenas desculpar-se e pagar o espelho. Calma e
tranquilamente Susana Vieira completou a sua maquilhagem e abandonou o quarto de
banho. Estava atrasada para um jantar com clientes. Atrás dela ficaram apenas
os fragmentos de um espelho quebrado, mais um, no lavatório do quarto de banho
do metro. E entre eles, algum sangue de um violador que não seria encontrado.
Nunca.

Ricardo
Rebelo nasceu em Angola em 1977 e instalou-se definitivamente em
Portugal no de 1981. Viveu um ano na vila de Tabuaço, e em 1982 mudou-se para
Gondomar (distrito do Porto) onde ainda reside. Neste momento está a terminar a
licenciatura em Economia na Universidade Portucalense.
Desde
o dia em que viu o filme "Shinning", em 1986, que se interessou pelos
temas do fantástico e do terror sendo um leitor ávido das obras de Stephen
King e James Herbert. Nos poucos tempos livres que tem, escreve alguns contos e
novelas encontrando-se a preparar uma novela com o título provisório de "Samhein"
com a qual pretende concorrer ao Prémio de Ficção Literária Fnac/Teorema.
Outros dos seus interesses incluem o estudo dos crimes de Jack, o Estripador,
bem como a astronomia amadora.
Ricardo
Rebelo pelo ser contactado pelo seguinte e-mail: ricardorebelo@ip.pt
Quanto
ao conto, Anjo da Guarda é o primeiro trabalho de Ricardo Rebelo.
Demonstra a originalidade e a enorme vontade de ir à luta de um autor
emergente, que não tem medo de situações difíceis. A execução técnica
dada à ideia não é a melhor, peca sobretudo por um desenrolar muito simples e
cronologicamente linear, por algumas palavras excessivas e pelos parágrafos
longos demais, que não fazem justiça ao bom ritmo da história. Mas também o
que é que podíamos pedir mais para um primeiro conto?
O Turno
da Noite já leu trabalhos posteriores de Ricardo Rebelo e ficou,
definitivamente, impressionado. Na verdade, o autor ganhou recentemente o
segundo prémio no 1º Concurso Literário de
Contos de Terror, promovido pelo Turno da Noite. Não lhe desejamos boa sorte para o Prémio Fnac/Teorema
porque já espreitámos o trabalho em construção e sabemos que aquela é uma
obra que não vai precisar de sorte para vencer. Vamos apenas cruzar os dedos,
vender algumas almas ao demónio, e esperar que o Júri do concurso literário
não elimine de imediato a obra apenas porque esta é de Terror, apenas porque
esta conta mesmo uma história, com princípio, meio e fim, com pés,
tronco e muita cabeça... ao contrário de outros romances, ditos
"literários", que se publicam por cá, e que também são, à sua
maneira, verdadeiras obras de terror. Infelizmente. E depois ninguém sabe
porque é que se lê tão pouco em Portugal...

Anjo da Guarda: Copyright © 2000 Ricardo Rebelo
Adaptação para
HTML por Ricardo
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