(Tradução de Ricardo Madeira)
Título original Al Azif -- sendo Azif
a palavra usada pelos árabes para indicar aquele som nocturno (feito por insectos)
que se supunha ser o uivo de demónios.
Composto por Abdul Alhazred, poeta
louco de Sana, no Iémen, cidade da qual se diz que floresceu durante o
período dos califas Omíadas, aproximadamente em 700 DC. Alhazred visitou as
ruínas da Babilónia e os segredos subterrâneos de Mênfis e passou dez anos
sozinho no grande deserto do sul da Arábia - o Roba el Khaliyeh ou
"Espaço Vazio" dos antigos - e no "Dahna" ou Deserto
"Carmesim" dos Árabes modernos, que se acredita ser habitado por
malignos espíritos guardiães e monstros da morte. Deste deserto contam muitas
estranhas e incríveis maravilhas aqueles que alegam tê-lo penetrado. Nos seus
últimos anos, Alhazred residiu em Damasco, onde o Necronomicon (AL AZIF)
foi escrito, e da sua morte final ou desaparecimento (738 D.C.) são contadas
muitas coisas terríveis e contraditórias. Diz-nos Ebn Khallikan (biógrafo do
século XII) que Alhazred foi agarrado em pleno dia por um monstro
invisível e devorado de forma horrível perante uma multidão de testemunhas
paralisadas pelo medo. Da sua loucura muitas coisas se contam. Ele alegou ter
visto a fabulosa Irem, ou Cidade dos Pilares, e ter encontrado por baixo das
ruínas de uma certa cidade deserta sem nome os chocantes anais e segredos de
uma raça mais velha que a Humanidade. [Nota do Tradutor:
Uma descrição completa da cidade sem Nome e dos anais e segredos dos seus
habitantes será revelada, num futuro próximo, aqui, no Turno Da Noite, no
conto A CIDADE SEM NOME, também escrito pelo autor deste esboço.]
Alhazred era apenas um muçulmano indiferente, venerando entidades desconhecidas
que ele apelidara de Yog-Sothoth e Cthulhu.
Em 950 DC o Azif, que tinha tido uma
considerável se bem que sub-reptícia circulação entre os filósofos da era,
foi traduzido em segredo para o Grego por Theodorus Philetas de Constantinopla
sob o título de Necronomicon. Durante um século, o livro impeliu certos
experimentadores a terríveis tentativas, até que foi suprimido e queimado pelo
patriarca Michael. Depois disto só se volta a ouvir falar dele furtivamente,
mas (1228) Olaus Wormius fez uma tradução para Latim mais tarde na Idade
Média, e o texto em Latim foi impresso por duas vezes - uma no século XV em
caracteres black letter gothic (evidentemente na Alemanha) e mais uma vez
no século XVII (provavelmente na Espanha) - ambas as edições não possuem
marcas identificativas, e são situadas cronológica e geograficamente apenas
através de evidências tipográficas internas. A obra, tanto em Latim e como em
Grego, foi banida pelo Papa Gregório IX em 1232 pouco depois da sua tradução
para Latim, que chamou a atenção para si. O original árabe já estava perdido
mesmo no tempo de Wormius, como ele indica na sua nota de prefácio; [Nota
do Editor Original: "existe, porém, uma vaga referência ao aparecimento
no presente século de uma cópia secreta em São Francisco, que no entanto
viria perecer num incêndio"] e nenhum exemplar grego - que foi
impresso na Itália entre 1500 e 1550 - tornou a ser visto desde o incêndio da
biblioteca de um certo homem de Salem em 1692. Uma tradução inglesa feita pelo
Dr. [John] Dee nunca chegou a ser impressa, e sobrevive apenas em fragmentos
recuperados do manuscrito original. Dos textos latinos que ainda existem um (séc.
XV) sabe-se estar no British Museum trancado a sete chaves, enquanto outro (séc.
XVII) está na Bibliothèque Nationale em Paris. Uma edição do Século XVII existe
na Widener Library em Harvard, e na biblioteca da Miskatonic University em
Arkham; também na biblioteca da Universidade de Buenos Aires. Numerosas outras
cópias existem provavelmente, em segredo, e há rumores persistentes de que um
exemplar do século XV faz parte da colecção de um célebre milionário
americano. Um rumor ainda mais vago dá conta da preservação de um texto grego
do século XVI na família Pickman de Salem; mas se era realmente assim, o texto
perdeu-se junto com o artista R. U. Pickman, que desapareceu em inícios de
1926. O livro é suprimido com rigidez pelas autoridades da maioria dos países,
e por todas os ramos de eclesiasticismo organizado. A sua leitura conduz a
consequências terríveis. Diz-se que foi a partir de rumores deste livro (do
qual relativamente poucos entre o grande público sabem) que R. W. Chambers teve
a ideia para um dos seus primeiros romances, intitulado "THE KING IN YELLOW".
CRONOLOGIA
 |
Al Azif escrito aproximadamente
em 730 DC, em Damasco, por Abdul Alhazred. |
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Traduzido para o Grego em 950 DC
como Necronomicon, por Theodorus Philetas. |
 | Queimado pelo Patriarca Michael
em 1050 (i.e., texto grego). Texto árabe agora perdido. |
 |
Olaus traduz do Grego para o
Latim 1228. |
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Edições em Latim e em Grego
suprimidas por Gregório IX - 1232 DC. |
 |
14..? Edição impressa em
caracteres black letter na Alemanha. |
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15..? Texto grego impresso na
Itália. |
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16..?
Reimpressão espanhola do texto em Latim.
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Howard Phillips Lovecraft (1890-1937) é
um dos escritores americanos mais influentes e bem conhecidos no género do
Horror. A obra acima apresentada, escrita algures em 1927, é um pequeno esboço
da história de uma das criações mais famosas de Lovecraft: o livro negro Necronomicon.
Tão convincente era Lovecraft nas suas obras que a peça acima apresentada tem
sido frequentemente rotulada de "ensaio" por bibliógrafos e
críticos, já para não falar das legiões de fãs que realmente acreditam na
existência do livro. Este embuste não-intencional não é ajudado pelo facto
de nada mais nada menos que quatro edições diferentes do livro terem sido
publicadas nas últimas décadas (isto sem contar com livros como o Necronomicon
do artista H. R. Giger).
Para mais informações sobre H. P. Lovecraft, visitem o
seguinte site: http://www.hplovecraft.com

Tradução:
Copyright © 2000 Ricardo
Madeira