Se As Estrelas Estiverem Certas...
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Sobre o Round Robin...

Ora bem, aqui fica uma explicação das regras deste jogo!

Primeiro, é obviamente obrigatório ler tudo o que já foi escrito antes sequer de começar a pensar em participar. :-)

Segundo, se realmente querem dar à pena e contar mais um pedaço dessa história, pensem um pouco naquilo que já aconteceu, e em tudo o que poderia acontecer. De certeza que haverá sempre muitas pontas soltas neste novelo para atar e que provavelmente não vão precisar de trazer muito mais confusão à história!

Terceiro, antes de começar a escrever, mandem-nos um e-mail para ricmadeira@mail.telepac.pt descrevendo a ideia que pretendem desenvolver no vosso fragmento de história (não precisam de dar muitos pormenores, bastam uma ou duas frases). Este e-mail servirá também para reservar o vosso lugar, de modo a não termos várias pessoas a desenvolver continuações alternativas do mesmo fragmento. Se já houver um autor destinado a fazer aquela continuação, então vocês ficarão em lista de espera.

Quarto, cada autor tem uma semana para apresentar o seu fragmento. Se após sete dias de lhe ser enviada a confirmação de que pode colocar as suas ideias no papel o autor não tiver apresentado o seu texto, ele pode perder a "vez". Esta regra está aqui única e exclusivamente para os autores que estiverem na lista de espera não terem de ficar um ano a aguardar pela sua vez! Além disso, também queremos fragmentos/capítulos relativamente curtos e não longas dissertações e descrições que não trazem nada de importante à história e só servem para abrandar o ritmo. Assim, com um prazo de sete dias, é mais provável que consigamos criar uma boa história, que não faça bocejar ninguém.

Quinto, qualquer autor que já tenha contribuído com um fragmento pode, e deve, voltar a repetir a dose quantas vezes quiser!

Por fim, lembrem-se que isto é uma história de horror! Queremos que a leitura do texto cause uma certa sensação de desconforto aos leitores, e lhes traga suores frios (de preferência por outras razões que não sejam tremendos pontapés na gramática e na ortografia, eheh).

E é tudo... fiquem agora com a história propriamente dita!

 

That is not dead which can eternal lie,
And with strange aeons even death may die.
 - H. P. Lovecraft      

Você encontrou... o Ídolo Perdido!!! Dirija-se agora à página onde decorre a nossa Competição e participe!

Not Dead Which Eternal Lie,
Stranger Eons, Death May Die!
Drain you of your sanity,
Face The Thing That Should Not Be!
     Tocar! Metallica, "The Thing That Should Not Be"

 

Se As Estrelas Estiverem Certas...

 

I.

(por Carlos Orsi Martinho)

A única fonte de luz no quarto era a tela do computador. Osires Mesquita, sem óculos, mantinha-se curvado sobre a mesa, o nariz quase encostado na superfície brilhante. Os dedos de sua mão esquerda -- a única que lhe restara -- tremiam sobre o mouse.

A figura na tela era um círculo dividido em doze secções, cortado por linhas e ângulos, e com um Sol estilizado ao centro. O conjunto poderia ser facilmente tomado por um mapa astral, mas uma observação mais cuidadosa revelaria ali a presença de astros alheios ao cartel dos astrólogos: o signo de Touro, por exemplo, estava representado por uma estrela solitária, Aldebarã; Plutão era designado por Yuggoth e outros três planetas, provavelmente mundos externos ao sistema solar -- Shaggai, Carcosa e Goroth -- , apareciam interagindo com o arco zodiacal. Uma estrela desconhecida, Xoth, também brilhava ali.

O programa havia sido criado há alguns meses segundo especificações bastante estritas do próprio Osires, mais ou menos na mesma época em que o coto da mão direita começara a coçar. O que não podia ser um bom sinal.

II.

(por Ricardo Christe)

Naquele momento, porém, Osires não se podia preocupar com isso. Largou o mouse para esfregar os olhos. A excitação do momento ajudava-o a driblar a falta de sono, mas a vista cansava. Por alguma razão, sempre que fixava a estrela mais alta do diagrama, os olhos ardiam-lhe um pouco mais.

Desviou a atenção da tela um instante e apanhou uma disquete ZIP na gaveta. Precisava registar o que estava por vir.

Com a disquete em posição, Osires moveu o ponteiro do mouse sobre um menu baptizado de "Ferramentas". Escolheu a opção "Projecção por Intervalo". Entrou com um intervalo de tempo -- a data final era dali a exactamente seis meses -- e clicou no botão "ANIMAR".

 

Saiu para repor café na caneca. O computador não era dos melhores, e levaria alguns minutos para tomar todas as variáveis em consideração. O Ponto de Referência do Observador, por exemplo, adoptava as coordenadas de uma localidade a pelo menos cinco mil quilómetros de distância... mas sempre a um passo dos pensamentos de Osires.

Tikal.

A Grande Cidade Maia.

III.

(por Mauro Amoasei dos Reis)

O calor da caneca de café não ajudava em nada a aliviar o frio que descia sobre ele enquanto seus pensamentos o levavam novamente para aquela noite, em Tikal.

Osires se lembrava muito bem da maior parte dos acontecimentos daquela viagem de férias à Guatemala. A terra estranha, os costumes diferentes, a língua e a aparência distinta do povo. Mas se lembrava principalmente das ruínas, e do desafio dos companheiros de viagem: passar a noite lá, sozinho. Na altura, o facto de ele ter aceite pareceu-lhe a confirmação de sua coragem. Hoje em dia, ele o considerava a confirmação de sua idiotice.

Daquilo que acontecera depois, Osires possuía apenas vagas lembranças. Acordou no dia seguinte num hospital, para onde alguém o tinha levado, ensanguentado e em choque. E a sua mão direita...

O café quente salpicando a sua mão trémula arrancou-o às memórias. Depositou a caneca na bacia da cozinha e limpou o café derramado no chão, esperando até que os tremores parassem o suficiente para ele conseguir segurar a caneca novamente. O melhor era não pensar mais no passado, por enquanto. O futuro preocupava-o muito mais.s.

IV.

(por Ana Cristina Luz)

Mas como era possível concentrar-se no futuro quando a coceira o incomodava ao ponto de se tornar insuportável? E porque tinha ele aquela estranha sensação de frio na espinha sempre que os tremores o atacavam? Uma imagem muito vaga assaltava-o durante os ataques. Mas apesar da frequência com que isso acontecia, nunca conseguia identificar a sua natureza, pois os contornos eram sempre muito vagos. E mesmo nas ocasiões em que a imagem se mantinha por mais alguns segundos do que o habitual, parecendo começar a tomar uma forma mais definida, desaparecia antes de se denunciar. Como se de um sinal se tratasse, alertando-o para um perigo eminente mas ao mesmo tempo avisando-o para se manter afastado. E porque tinha ele um pressentimento tão estranho em relação à origem daquela imagem?

Osires levou a mão ao coto, tentando não esfregar com muita força. Habituara-se a massajá-lo com a palma da mão para evitar irritar ainda mais uma área já muito sensibilizada.

Passada a crise, pegou na caneca de café ainda quente e bebeu um demorado gole. O calor da bebida deu-lhe algum alento. Sacudiu os ombros como se pretendesse com aquele gesto afastar todo o desconforto que sentira momentos antes e sentiu-se ligeiramente melhor. Até o coto deixou de o incomodar. Eram horas de voltar ao trabalho. O computador já deveria ter analisado todas as variáveis e provavelmente apresentava já resultados. Decidiu voltar para o quarto.

 

V.

Este fragmento ainda está livre!

 

VI - ...

Estes fragmentos ainda estão livres!

 

 


Escreva aos autores dos fragmentos, e envie-lhes a sua opinião:

I. Carlos Orsi Martinho - carlosom71@yahoo.com

II. Ricardo Christe - christe@sti.com.br

III. Mauro Amoasei dos Reis

IV. Ana Cristina Luz - avasco@secil.pt

V. Quem será a... Próxima Vítima?

"Se As Estrelas Estiverem Certas" Copyright © 2000, 2001 Carlos Orsi Martinho, Ricardo Christe, Mauro Reis, Ana Cristina Luz, ...

 

Última actualização: 17-09-2001

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